
Joanesburgo - O governo dos Estados Unidos da América advertiu, quarta-feira, o Presidente do Rwanda, Paul Kagame, que poderá ser processado pelo Tribunal Internacional de Crimes, por ajudar grupos armados e responsáveis por atrocidades na República Democrática do Congo (RDC), informa a agência moçambicana AIM, que cita a imprensa sul-africana.
O semanário sul-africano Mail & Guardian, que se edita em Joanesburgo, citou Stephen Rapp, chefe dos serviços de justiça criminal dos Estados Unidos, a dizer que a liderança do Rwanda, incluindo o Presidente Kagame, poderá ser acusada por crimes contra a humanidade num país vizinho, actos similares àqueles que levaram o antigo chefe Estado da Libéria, Charles Taylor, a pena de 50 anos de prisão.
O alerta surge depois de um relatório das Nações Unidas denunciar o apoio militar do Rwanda ao grupo rebelde congolês M23 que, nos últimos tempos, tem vindo a tomar vários centros urbanos a leste da RDC.
O grupo, dirigido por Bosco Ntaganda, é assistido por Rwanda nas suas incursões armadas contra a RDC, o que poderá fazer com que dirigentes políticos daquele país sejam acusados por crimes contra a humanidade.
No passado fim-de-semana, Washington anunciou que vai interromper a sua ajuda militar ao Rwanda, na sequência do relatório da ONU.
O congelamento da assistência e o apelo por Rapp constituem mudança significativa por parte de Washington para com o governo de Kagame.
Rapp disse que a ajuda do Rwanda ao M23 e a outros grupos armados deve ser imediatamente interrompida, acrescentando que a assistência, incluindo o envio de armas e homens para o território da RDC, expõem Kagame e outros funcionários.
O relatório, preparado por um grupo de peritos do Conselho de Segurança, referiu haver evidências do envolvimento de funcionários do Rwanda com grupos armados que operam no leste da RDC, incluindo o fornecimento de armas e dinheiro ao M23, violando assim o embargo imposto àquela organização.
O documento sublinhou que o governo de Kagame deu assistência directa na criação do M23, através do transporte de armas e homens a partir do território do Rwanda, bem como recrutou jovens rwandeses, soldados desmobilizados e refugiados congoleses para integrarem aquele grupo.
Um outro relatório da ONU acusou as forças de Kagame de crimes de guerra, incluindo outras atrocidades no leste da RDC.