Sábado, 25 de Maio, 2013
CPLP

Na abertura da cimeira da CPLP, Guebuza condena golpe militar na Guiné Bissau

Apesar de a Cimeira da CPLP ter como pano de fundo a segurança alimentar e nutricional, a instabilidade política da Guiné-Bissau acabou sendo a tónica dominante dos discursos de abertura do encontro.
Presidente de Moçambique assume presidência da CPLP

Maputo - O presidente moçambicano, Armando Guebuza, condenou hoje, em Maputo, o golpe de estado na Guiné-Bissau ocorrido em Abril último e que destituiu o presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.

Falando na abertura da IX Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Guebuza disse que a paz e a estabilidade naquele país não interessam apenas aos guineenses, mas também aos países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana e a toda a família das Nações Unidas.

"Por isso, reiteramos o nosso apelo para que todos os actores, nacionais e internacionais, conjuguem as suas sinergias tendo em vista a criação do ambiente propício ao relançamento de programas sustentáveis de desenvolvimento social e económico", disse Guebuza, que a partir desta conferência passa a assumir a Presidência da CPLP.

Guiné-Bissau é um dos membros da CPLP, que também integra Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Contudo, a CPLP não reconhece a actual liderança de Guiné-Bissau, razão pela qual decidiu convidar Raimundo Pereira para participar na Cimeira na qualidade de presidente legítimo daquele país.

Apesar de a Cimeira ter como pano de fundo a Segurança alimentar e nutricional, a instabilidade política da Guiné-Bissau acabou sendo a tónica dominante dos discursos de abertura do encontro.

O Presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, disse que a instabilidade provocada por alguns continua a impedir o progresso e a prosperidade de todos. Ele disse que o povo guineense já sofreu demasiado e merece ter uma oportunidade para viver em paz e estabilidade.

"A posição da EU é clara, não toleraremos mais golpes e a ordem constitucional tem de ser respeitada", disse Barroso.

Falando em representação da Presidência angolana da CPLP, o vice-Presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos, disse que o seu país desenvolveu esforços no sentido de promover o diálogo entre as autoridades da Guiné-Bissau e os parceiros internacionais, a fim de contribuir para a estabilização do país e garantir o normal funcionamento das instituições locais.

Segundo Piedade dos Santos, logo após o golpe na Guiné-Bissau, a CPLP denunciou o acto, isolando os golpistas. Também desencadeou um movimento junto a comunidade internacional para a restauração da ordem constitucional, através do Conselho de Segurança.

Piedade dos Santos disse que, na sua oitava extraordinária realizada a 14 de Abril último, o Conselho de Ministros da CPLP exigiu a reposição imediata da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral, perante o povo guineense e a comunidade internacional, que são as únicas entidades reconhecidas pela organização.

"No seguimento do golpe de estado, a Presidência angolana participou, com outros altos representantes de Estados membros, nas reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas que adoptaram a Declaração Presidencial de condenação do golpe e a Resolução 2048 do Conselho de Segurança exigindo o afastamento do comando militar e o restabelecimento da ordem constitucional", disse.

Fazendo um balanço da Presidência angolana na CPLP, Piedade dos Santos disse que, durante os dois anos, o seu país tentou corresponder da melhor maneira a responsabilidade de conduzir a organização e espera ter contribuído para o reforço da cooperação intracomunitária e o consequente reforço do seu prestígio e afirmação internacionais.

Contudo, nem todos os planos foram concretizados, na maioria dos casos devido a falta de fundos. Aliás, em alguns casos, a Angola disse ter contribuído com fundos próprios para apoiar as actividades da organização.

"Infelizmente, e a contragosto da presidência angolana, não foi ainda possível no biénio transcorrido adoptar-se um orçamento que corresponda ao real crescimento e as crescentes necessidades da nossa organização, até para as mais simples despesas correntes", disse.

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