Desfavorável
Director da FAO contra uso de OGM na agricultura africana
Diouf diz que num momento em que a África apenas tem 7% das suas terras aráveis irrigadas das quais 4% ao sul do Saara contra 38% na Ásia, o primeiro problema a resolver "é fazer com que haja água".
Da Redação, com agência

"Acho, pessoalmente, que se está a desviar-nos do essencial. Para mim, o essencial é o controlo da água. Se não há água, não se vive", disse.
Para Diouf, num momento em que a África apenas tem 7% das suas terras aráveis irrigadas das quais 4% ao sul do Saara contra 38% na Ásia, o primeiro problema a resolver "é fazer com que haja água".
Jacques Diouf falava à Panapres no termo dum fórum de peritos de alto nível organizado pela FAO na sua sede em Roma, sob o tema "Como Alimentar o Mundo em 2050?".
Ele explicou que os países africanos estão, hoje, confrontados com outros problemas cuja resolução é prioritária.
Citou como exemplo o facto de que os agricultores em África perdem 40 a 60% do que produzem por não terem os meios de armazenamento e, em caso de fome, as ajudas alimentares são enviadas por páraquedas porque faltam estradas utilizáveis. "Prefiro que se concentre nas infraestruturas para poder levar os factores de produção aos agricultores e fazer sair os seus produtos para os mercados. Penso que é preciso igualmente começar a utilizar as sementes que são desenvolvidas nos países africanos e que são sementes da pesquisa pública", insistiu.
Segundo ele, estas sementes permitiram pelo menos fazer a revolução verde na China e na Índia em benefício de mais de dois biliões de habitantes.
Diouf acrescentou que as variedades de sementes produzidas pelas instituições agrícolas de alguns países do Terceiro Mundo podem ser desenvoldidas pelos institutos africanos sem nada pagar. "Compreendo que um agricultor produtor de soja tenda a utilizar variedades OGM porque a taxa de rentabiliade em relação aos factores de produção e ao custo de produção são mais elevadas com a soja OGM que com a soja normal. Mas, para o essencial dos produtos de consumo em África, digo que hoje a introdução na agricultura dos OGM não é uma prioridade", concluiu.
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