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09/07/2009 - 07:00

Cabo Verde

Morreu no Brasil o escritor e poeta cabo-verdiano Luís Romano

Antigo dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), natural da ilha de Santo Antão, onde nasceu a 10 de Junho de 1922 (87 anos), estava radicado no Brasil desde 1962.

Da Redação, com A Semana

Praia - O escritor e poeta cabo-verdiano Luís Romano morreu segunda-feira em Natal, capital estadual do Rio Grande do Norte, nordeste brasileiro, noticiou, quarta-feira(8), o jornal A Semana, de Cabo Verde.

Antigo dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), natural da ilha de Santo Antão, onde nasceu a 10 de Junho de 1922 (87 anos), estava radicado no Brasil desde 1962.

Luís Romano de Madeira Melo, que deixou muitas obras por publicar, editou vários livros de contos, poesia e novelas em português, crioulo e francês.

Em fins da década de 50, Luís Romano aderiu aos ideais da independência e chegou a desempenhar cargos de direcção no PAIGC, foi perseguido pela PIDE, a polícia política portuguesa, fugiu para Argel e Paris e exilou-se, depois, no Brasil.

No Brasil, o também novelista e folclorista recebia uma modesta pensão vitalícia do Estado cabo-verdiano desde que o país acedeu à independência, em 1975.

Vladimir Cruz, filho de B.Lèza, um dos mais importantes vultos da música cabo-verdiana, disse que o Luís Romano, que conheceu de perto, tinha um "espírito batalhador e recheado de boa ironia", fruto de uma paixão pela vida que o "levou a ser poeta, investigador cultural e grande humanista".

Antes de falecer, Luís Romano deixou um último livro sobre a escrita e a personalidade de outro conterrâneo, Januário Leite, editado no Brasil, país, aliás, onde editou a maioria das suas obras.

Embora Luís Romano tivesse uma pensão vitalícia paga pelo Estado cabo-verdiano, faltava-lhe ainda o reconhecimento da sua obra e das suas qualidades intocáveis como ser humano, acrescentou Vladimir Cruz.

Em 2007, Romano foi homenageado pela organização não governamental brasileira "Etnia".

"Famintos" (1962), novela em português, "Clima" (1963), poemas em português, crioulo e francês, "Cabo Verde - trenascença de uma Civilização no Atlântico Médio" (1967), colectânea de poemas e de contos "Negrume/Lzimparin" (1973), colectânea de contos, e "Ilha - Contos da Europáfrica e da Brasilamérica" (1991), são algumas das obras que publicou.

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