Artigo
Crises e patifarias
Na esteira dos poderosos movem-se os pequenos e grandes patifes. Os que se aproveitam das crises para se tornarem, se possível, ainda mais patifes.
Helder Castro

As qualidades e defeitos do ser humano tornam-se mais evidentes. Os atos de coragem e as atitudes de cobardia parecem ser mais visíveis. Tornam-se mais presentes.
E é isso que está a acontecer nos tempos que correm. Governantes acobertam-se na crise internacional para justificar a malversação dos orçamentos públicos. Adiam a construção de hospitais e de escolas. Engavetam projetos de desenvolvimento por causa da crise. Os programas de apoio aos pequenos empreendedores não passam das memórias dos computadores. A culpa é da crise, justificam.
Outros, mais corajosos, admitem os erros, assumem publicamente responsabilidades e corrigem orientações. Nos casos mais desesperados, demitem-se. Foi o que fez, há poucos dias, o primeiro-ministro japonês. Avessos à corrupção, imbuídos de um sentido de dever nacional, são poucos os que assim agem.
Na esteira dos poderosos movem-se os pequenos e grandes patifes. Os que se aproveitam das crises para se tornarem, se possível, ainda mais patifes; os que, usufruindo das benesses de um sistema injusto, se locupletam com salários faraônicos, enquanto programam cortes salariais e abusivas reduções de apoios sociais. Os que se aproveitam da crise, para a qual contribuíram decisivamente, para tornarem os pobres ainda mais pobres.
E há também os que se justificam com as crises para não cumprirem os seus compromissos financeiros, para darem novos calotes, que se somam a outros à sombra dos quais cresceram e se tornaram gestores e empresários de sucesso.
Estes são os que não pagam impostos, mas apelam à solidariedade; os que correm mundo a expensas das grandes corporações a quem prestam favores; os que parasitam as sociedades a que pertencem. São os patifes, de todos os tamanhos. São os homens sem honra e sem memória.
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Perfeito.
Comentário publicado em 09.08.2010 às 19:27